No anos 90, enquanto a ideia de dinheiro decentralizado engatinhava, alguns criptógrafos já discutiam a possibilidade de automatizar contratos. O conceito de smart contract (contrato inteligente) foi originalmente proposto pelo criptógrafo Nick Szabo em 1996 e refere-se a contratos cuja execução é imposta por algorítimos ao invés de lei. Como uma máquina de venda automática: selecione o produto, insira o valor necessário, receba o produto e o troco se houver. Os contratos são armazenados em uma rede blockchain descentralizada de modo a manter sua validade e execução independentes de autoridade e a proteger a integridade de seu conteúdo.
Bitcoin permite o estabelecimento de transações condicionadas, ou seja transações cuja execução depende de que algumas condições sejam satisfeitas. As condições são diversas: período de tempo mínimo, apresentação de assinaturas válidas, senha, etc. Por exemplo, suponha que A pretende vender a B um veículo. B pede um dia de testes para que ele possa avaliar o estado do veículo. Se a data de hoje é H o seguinte smart contract pode ser estabelecido: um terceiro C é escolhido como árbitro, B faz um depósito em bitcoins para o ábitro válido a partir de H+1 com apresentação da assinatura de C (esse é um depósito de seguro contra danos ao veículo). No dia seguiunte, H+1, caso tenha havido danos ao veículo C entrega os bitcoins a A. Se não, C retorna os bitcoins a B. Por sua natureza, em geral, os smart contracts na rede Bitcoin são utilizados uma única vez, ou seja, se um momento futuro A e B quiserem tentar a transação outra vez um novo smart contract com as mesmas condições deve ser gerado.
Ethereum permite o desenvolvimento de smart contracts mais complexos e expressivos. Smart contracts nessa rede são verdadeiros softwares, escritos na linguagem de programação Solidity, que residem na blockchain e que podem ser utilizados, e reutilizados, por qualquer nodo através de chamadas de funções localizadas no respectivo endereço de memória na blockchain. As possibilidades de softwares que podem ser construidos em smart contracts na rede Ethereum são gigantescas, um dos exemplos mais impressionantes são as DAOs (Organizações Autônomas Descentralizadas em inglês) que são verdadeiras empresas geridas de maneira autônoma. As próprias stablecoins nascem em smart contracts.